sexta-feira, agosto 28, 2009

A Casa Amarela II



O dia amanhecia cheirando a pão fresco e café que Charlotte havia preparado. Teresa aos fins de semana acordava preguiçosamente na hora que queria e acordou com o cheirinho de pão entrando pelo nariz, igualzinho aos desenhos animados que costumava ver na televisão. Levantou, foi ao banheiro escovar os dentes e tomar banho. Procurou no armário as roupas cor-de-rosa porque domingo era dia de rosa. Short balonê rosa pink, camiseta rosa com um hipopótamo lilás e sandálias havaianas rosa-clarinho e desceu, com o cabelo ainda pingando pelas costas abaixo.
Bom dia, vó! Bom dia!, virou-se de repente Charlotte que estava na cozinha. Menina, você está pingando a cozinha toda, vá enxugar esse cabelo direito. Ah, vó... o pão vai esfriar.., dizia Teresa já sentada pegando um pedaço do pão quente e se preparando para passar a manteiga. Agora... já! E lá foi Teresa, arrastando os pés, injuriada de perder o momento pão-quente/manteiga derretendo no pão. Voltou emburrada, mexendo no pão com a ponta do dedinho pra ver se ainda estava quente. Tá frio.., e olhou pra baixo, triste. Boba, tem mais no forno, ainda estão quentes. E Teresa pulou da cadeira com tanta pressa e alegria, que a cadeira foi ao chão fazendo barulho e acordando Romeu, que ainda roncava ao lado da geladeira.
Teresa tinha 10 anos, era magrela, ruiva, sardenta e tinha grandes olhos azuis que herdara da avó, os pais haviam emigrado para os EUA, há 2 anos, numa tentativa de melhorar a vida para pagarem, no futuro, a faculdade de Teresa.
E Charlotte tentava ser mais mãe do que avó para compensar a falta dos pais de Teresa, mas era difícil, passara os últimos dois anos vivendo em função de Teresa e deixando sua vida de lado, mas não se arrependia, a única neta era a grande felicidade na vida de Charlotte.
Charlotte era uma ainda uma mulher bonita de uns 50 anos, alta, ruiva e de pernas longas, e quando criança ganhou o apelido de Pippi, porque a achavam parecida com Pippi Longstockings, personagem do clássico infantil do sueco Astrid Lindgren.
Odiava o apelido e as meias da Pippi do livro, não gostava de meias, gostava de andar descalça, de sentir a terra, e por isso, quando era pequena costumava levar umas chineladas da mãe, que não conseguia que a filha fosse menos moleque. Aliás, os chinelos voavam na direção de Charlotte, mas nunca a atingiam, afinal não era essa a intenção de sua mãe.

continua...



2 comentários:

james penido disse...

Como você escreve bem,minha querida!E esse não é um elogio gratuito,elogio por elogio.É elogio de professor de teoria literária.Parabéns mesmo.Um abração de urso!

Cris Caetano disse...

Muuuuuito obrigada! :)
Ui, amassei-me (pelo abraço de urso) rsrs

Beijão

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